O preço da liberdade.
Um dos tópicos mais comentados atualmente nas conversas das rodas de bar é a nova lei anti-fumo. Alguns revoltados porque não podem fumar, outros conformados e muitos felizes por não ter mais que conviver com o cigarro dos outros. Eu, como médico e não-fumante, não posso reclamar, a lei definitivamente melhorou a situação pra mim. Porém a questão não é se é bom pra mim e sim se é justa.
A nova lei não só proíbe o fumo dentro da área comum dos estabelecimentos, fica proibido inclusive aos donos dos estabelecimentos a criação de áreas abertas onde seria permitido fumar. Aí vem a pergunta, está certo isso? Um dos argumentos mais fortes para nova lei é que não era justo com quem não fumava ser obrigado a se expor como fumante passivo em um ambiente totalmente fechado. Legal, concordo totalmente... agora não é meio contraditório ir ao outro extremo e retirar o direito do cidadão de fumar? Mais ainda, do dono da casa de estabelecer normas específicas para atender sua clientela, abrindo um espaço reservado pra quem quiser ir lá cheirar fumaça?
Conversando com amigos nessa linha de raciocínio percebi que o brasileiro cada dia mais "se acostuma" com a gradual retirada de sua liberdade de escolha em nome de "um bem maior". Vivemos num país onde as opções são cronica e gradualmente limitadas, com uma população cada vez mais dependente do governo.
Mas espere aí, desde quando numa democracia de um regime capitalista o governo tem essa responsabilidade? O governo existe para proteção de fronteiras e preservação dos interesses nacionais além de garantir a aplicação de leis de forma justa e imparcial.
Criamos e aceitamos leis hoje para "prevenir" como a lei seca que proíbe a venda de bebidas alcoolicas em estádios de futebol. Ou a lei seca do trânsito que praticamente proíbe o consumo das mesmas pra quem vai dirigir. Partimos do pressuposto que o povo é burro, não pode ser conscientizado e educado e é melhor previnir do que remediar. E obviamente foi um sucesso, afinal os números da violência nos estádios e de acidentes de trânsito ligados ao consumo de álcool caiu depois da criação das respectivas leis.
Então agora a pessoa que é consciente, que sai pra se divertir e que quer tomar duas, três cervejas, ou seja lá a quantidade que for de maneira moderada, não pode. Não pode porque "a maioria não é consciente e exagera, e quando exagera faz cagada". Espere aí de novo, o que essa pessoa tem haver com a maioria? Absolutamente nada, mas ainda assim teve sua liberdade de escolha retirada em nome do tal "bem maior".
Engana-se que acha a perda gradual da liberdade acaba nessas leis "polêmicas". Ou que se limita ao serviço militar e voto obrigatórios. Toda vez que um imposto novo é criado ou um antigo é aumentado perdemos um pouco da nossa liberdade. É o governo dizendo "você tem que fazer isso aqui com o seu dinheiro"... mas peraí, eu não quero! Mas é pra um "bem maior".
O Brasil por ter geralmente governantes populistas, pune quem trabalha e se qualifica aumentando a carga tributária dessa turma em prol de "distribuir a renda". Opa, legal... Mas por que se eu entrar na casa do Lula e levar umas TVs, uns carros e uma quantia razoável de dinheiro pra distribuir a renda entre os menos favorecidos da favela eu sou preso como assaltante? Quer dizer que o governo pode pegar 30% do que eu ganho, além de me obrigar a pagar um seguro saúde/desemprego/aposentadoria que eu não quero e todo mundo acha que é normal?
Enquanto isso a turma de baixa renda faz um monte de filho pra aumentar a renda da casa com a tal bolsa família. Ou seja, o cidadão ou cidadã estuda um tempão, na maioria das vezes às custas do sacríficio da família, se qualifica, continua investindo na carreira e no fim do mês o governo chega e fala "me dá essa parte do teu salário aqui que eu vou usar pra ajudar o Fulaninho a pagar as contas". E a pessoa se pergunta: "O que eu tenho haver com o Fulaninho? Ninguém me perguntou se eu estou com vontade de ajudar o Fulaninho"... a resposta é óbvia "Perdeu praiboi... é para um bem maior". E lá se foi mais um pouco da nossa liberdade.
Me lembro de um episódio que aconteceu na fila do caixa no supermercado. Uma mulher de aproximadamente 40anos, 1,6m e uns 100kg tinha terminado de passar suas mercadorias na registradora e agora pagava as contas de luz e água. Na fila estávamos eu e um sujeito na minha frente, ambos irritados com a demora causada pela mulher que havia revisto cada uma das coisas que tinha pego antes de passar pela registradora. Ao fim do somatório ela sacou um cartão desses tipo bolsa família pra pagar a conta.
Como não podia ser diferente, dada a sorte de ter entrado na fila mais demorada do supermercado, a conta não fechou porque as compras e as contas excederam em um real e uns quebrados. A mulher ao invés de pagar a diferença com o dinheiro que tinha sobrando (na hora que tirou o cartão, tirou também algumas notas) e resolver o problema, começou a argumentar com a caixa dizendo que iria devolver um dos itens, pois era "um absurdo ter sido tanto dinheiro por tão pouco". A minha paciência já tinha ido pra muito longe fazia tempo, mas aquela frase pareceu ter sido a gota d'água pro cidadão na minha frente. Ele sacou uma nota de dois reais da carteira e falou pra mulher "está aqui a diferença, pronto, pague e vá embora porque estou com pressa!".
A mulher olhou chocada pela atitude do sujeito e disse "eu não preciso do seu dinheiro" e a réplica veio como um arpão atravessando a baleia, "claro que precisa, ou você acha que quem paga essa tua bolsa que tu mama do governo, eu e outros tantos que você está atrapalhando com essa sua demora. Tome mais dois reais e se manda, não vai me fazer falta". E não foi que a mulher pegou o dinheiro? Bom pelo menos aqueles dois reais foram escolha dele.
O populismo acabou com o espírito desse país, pois parte do pressuposto que o povo é burro e precisa ser carregado e não ensinado. A maioria dos brasileiros não vê o dinheiro público como seu próprio dinheiro que foi tomado por "um bem maior", mas sim como um bolo gigante, onde ele, o indivíduo, tem que fazer de tudo pra garantir uma fatia. E isso é tão forte que ele é capaz de aceitar até mesmo a corrupção de seus eleitos, desde que receba um benefício em troca. Quem nunca ouviu "ele rouba sim, todos roubam na verdade, mas pelo ele menos faz pela comunidade", ou "sei que ele é corrupto, com ele no cargo vou conseguir um aumento". Corrupção ficou institucionalizada no país, as pessoas acham que político tem que ser necessarimente corrupto. Pra piorar, são capazes de aturar isso numa boa desde que eles façam alguma coisa em nome do tal "bem maior".
Durante uma dessas conversas sobre as leis um dos meus amigos afirmou, "é mas a gente se acostuma". E é por isso que a coisa continua. Quem acredita que vivemos numa sociedade democrática, livre e capitalista está totalmente desinformado... o Brasil é um estado pré-socialista altamente corrupto onde o governo gradualmente controla o que a população pode ou não pode fazer.
E aí me perguntam, mas como você pode ser contra a lei seca, ou a anti-fumo? Ambas trouxeram benefícios inquestionáveis para a sociedade. Sou contra sim, da forma que foram feitas. Sou contra a punição e privação da liberdade de pessoas que nunca fizeram nada para merecer isso. Sou a favor sim de educar, conscientizar, melhorar. E aí me perguntaram "e aqueles que beberem e matarem alguém, segundo você tudo bem". De modo algum, que as leis sejam extremamente rigorosas com quem cometeu um ato irresponsável, uma coisa não tem nada haver com a outra. Se continuarmos assim vamos viver num estado tipo Minority Report e sair prendendo pessoas pra prevenir alguma coisa em nome de "um bem maior"
Eu quero viver num país onde mantenha o direito a minha liberdade de escolha. E você?
Antes de se acostumar ou aceitar algo por "um bem maior" PARA PRA PENSAR! Talvez ao fim da tua reflexão você fale "Bem maior de quem? Foda-se o tal do 'bem maior'".
A nova lei não só proíbe o fumo dentro da área comum dos estabelecimentos, fica proibido inclusive aos donos dos estabelecimentos a criação de áreas abertas onde seria permitido fumar. Aí vem a pergunta, está certo isso? Um dos argumentos mais fortes para nova lei é que não era justo com quem não fumava ser obrigado a se expor como fumante passivo em um ambiente totalmente fechado. Legal, concordo totalmente... agora não é meio contraditório ir ao outro extremo e retirar o direito do cidadão de fumar? Mais ainda, do dono da casa de estabelecer normas específicas para atender sua clientela, abrindo um espaço reservado pra quem quiser ir lá cheirar fumaça?
Conversando com amigos nessa linha de raciocínio percebi que o brasileiro cada dia mais "se acostuma" com a gradual retirada de sua liberdade de escolha em nome de "um bem maior". Vivemos num país onde as opções são cronica e gradualmente limitadas, com uma população cada vez mais dependente do governo.
Mas espere aí, desde quando numa democracia de um regime capitalista o governo tem essa responsabilidade? O governo existe para proteção de fronteiras e preservação dos interesses nacionais além de garantir a aplicação de leis de forma justa e imparcial.
Criamos e aceitamos leis hoje para "prevenir" como a lei seca que proíbe a venda de bebidas alcoolicas em estádios de futebol. Ou a lei seca do trânsito que praticamente proíbe o consumo das mesmas pra quem vai dirigir. Partimos do pressuposto que o povo é burro, não pode ser conscientizado e educado e é melhor previnir do que remediar. E obviamente foi um sucesso, afinal os números da violência nos estádios e de acidentes de trânsito ligados ao consumo de álcool caiu depois da criação das respectivas leis.
Então agora a pessoa que é consciente, que sai pra se divertir e que quer tomar duas, três cervejas, ou seja lá a quantidade que for de maneira moderada, não pode. Não pode porque "a maioria não é consciente e exagera, e quando exagera faz cagada". Espere aí de novo, o que essa pessoa tem haver com a maioria? Absolutamente nada, mas ainda assim teve sua liberdade de escolha retirada em nome do tal "bem maior".
Engana-se que acha a perda gradual da liberdade acaba nessas leis "polêmicas". Ou que se limita ao serviço militar e voto obrigatórios. Toda vez que um imposto novo é criado ou um antigo é aumentado perdemos um pouco da nossa liberdade. É o governo dizendo "você tem que fazer isso aqui com o seu dinheiro"... mas peraí, eu não quero! Mas é pra um "bem maior".
O Brasil por ter geralmente governantes populistas, pune quem trabalha e se qualifica aumentando a carga tributária dessa turma em prol de "distribuir a renda". Opa, legal... Mas por que se eu entrar na casa do Lula e levar umas TVs, uns carros e uma quantia razoável de dinheiro pra distribuir a renda entre os menos favorecidos da favela eu sou preso como assaltante? Quer dizer que o governo pode pegar 30% do que eu ganho, além de me obrigar a pagar um seguro saúde/desemprego/aposentadoria que eu não quero e todo mundo acha que é normal?
Enquanto isso a turma de baixa renda faz um monte de filho pra aumentar a renda da casa com a tal bolsa família. Ou seja, o cidadão ou cidadã estuda um tempão, na maioria das vezes às custas do sacríficio da família, se qualifica, continua investindo na carreira e no fim do mês o governo chega e fala "me dá essa parte do teu salário aqui que eu vou usar pra ajudar o Fulaninho a pagar as contas". E a pessoa se pergunta: "O que eu tenho haver com o Fulaninho? Ninguém me perguntou se eu estou com vontade de ajudar o Fulaninho"... a resposta é óbvia "Perdeu praiboi... é para um bem maior". E lá se foi mais um pouco da nossa liberdade.
Me lembro de um episódio que aconteceu na fila do caixa no supermercado. Uma mulher de aproximadamente 40anos, 1,6m e uns 100kg tinha terminado de passar suas mercadorias na registradora e agora pagava as contas de luz e água. Na fila estávamos eu e um sujeito na minha frente, ambos irritados com a demora causada pela mulher que havia revisto cada uma das coisas que tinha pego antes de passar pela registradora. Ao fim do somatório ela sacou um cartão desses tipo bolsa família pra pagar a conta.
Como não podia ser diferente, dada a sorte de ter entrado na fila mais demorada do supermercado, a conta não fechou porque as compras e as contas excederam em um real e uns quebrados. A mulher ao invés de pagar a diferença com o dinheiro que tinha sobrando (na hora que tirou o cartão, tirou também algumas notas) e resolver o problema, começou a argumentar com a caixa dizendo que iria devolver um dos itens, pois era "um absurdo ter sido tanto dinheiro por tão pouco". A minha paciência já tinha ido pra muito longe fazia tempo, mas aquela frase pareceu ter sido a gota d'água pro cidadão na minha frente. Ele sacou uma nota de dois reais da carteira e falou pra mulher "está aqui a diferença, pronto, pague e vá embora porque estou com pressa!".
A mulher olhou chocada pela atitude do sujeito e disse "eu não preciso do seu dinheiro" e a réplica veio como um arpão atravessando a baleia, "claro que precisa, ou você acha que quem paga essa tua bolsa que tu mama do governo, eu e outros tantos que você está atrapalhando com essa sua demora. Tome mais dois reais e se manda, não vai me fazer falta". E não foi que a mulher pegou o dinheiro? Bom pelo menos aqueles dois reais foram escolha dele.
O populismo acabou com o espírito desse país, pois parte do pressuposto que o povo é burro e precisa ser carregado e não ensinado. A maioria dos brasileiros não vê o dinheiro público como seu próprio dinheiro que foi tomado por "um bem maior", mas sim como um bolo gigante, onde ele, o indivíduo, tem que fazer de tudo pra garantir uma fatia. E isso é tão forte que ele é capaz de aceitar até mesmo a corrupção de seus eleitos, desde que receba um benefício em troca. Quem nunca ouviu "ele rouba sim, todos roubam na verdade, mas pelo ele menos faz pela comunidade", ou "sei que ele é corrupto, com ele no cargo vou conseguir um aumento". Corrupção ficou institucionalizada no país, as pessoas acham que político tem que ser necessarimente corrupto. Pra piorar, são capazes de aturar isso numa boa desde que eles façam alguma coisa em nome do tal "bem maior".
Durante uma dessas conversas sobre as leis um dos meus amigos afirmou, "é mas a gente se acostuma". E é por isso que a coisa continua. Quem acredita que vivemos numa sociedade democrática, livre e capitalista está totalmente desinformado... o Brasil é um estado pré-socialista altamente corrupto onde o governo gradualmente controla o que a população pode ou não pode fazer.
E aí me perguntam, mas como você pode ser contra a lei seca, ou a anti-fumo? Ambas trouxeram benefícios inquestionáveis para a sociedade. Sou contra sim, da forma que foram feitas. Sou contra a punição e privação da liberdade de pessoas que nunca fizeram nada para merecer isso. Sou a favor sim de educar, conscientizar, melhorar. E aí me perguntaram "e aqueles que beberem e matarem alguém, segundo você tudo bem". De modo algum, que as leis sejam extremamente rigorosas com quem cometeu um ato irresponsável, uma coisa não tem nada haver com a outra. Se continuarmos assim vamos viver num estado tipo Minority Report e sair prendendo pessoas pra prevenir alguma coisa em nome de "um bem maior"
Eu quero viver num país onde mantenha o direito a minha liberdade de escolha. E você?
Antes de se acostumar ou aceitar algo por "um bem maior" PARA PRA PENSAR! Talvez ao fim da tua reflexão você fale "Bem maior de quem? Foda-se o tal do 'bem maior'".
