Thursday, October 08, 2009

O preço da liberdade.

Um dos tópicos mais comentados atualmente nas conversas das rodas de bar é a nova lei anti-fumo. Alguns revoltados porque não podem fumar, outros conformados e muitos felizes por não ter mais que conviver com o cigarro dos outros. Eu, como médico e não-fumante, não posso reclamar, a lei definitivamente melhorou a situação pra mim. Porém a questão não é se é bom pra mim e sim se é justa.

A nova lei não só proíbe o fumo dentro da área comum dos estabelecimentos, fica proibido inclusive aos donos dos estabelecimentos a criação de áreas abertas onde seria permitido fumar. Aí vem a pergunta, está certo isso? Um dos argumentos mais fortes para nova lei é que não era justo com quem não fumava ser obrigado a se expor como fumante passivo em um ambiente totalmente fechado. Legal, concordo totalmente... agora não é meio contraditório ir ao outro extremo e retirar o direito do cidadão de fumar? Mais ainda, do dono da casa de estabelecer normas específicas para atender sua clientela, abrindo um espaço reservado pra quem quiser ir lá cheirar fumaça?

Conversando com amigos nessa linha de raciocínio percebi que o brasileiro cada dia mais "se acostuma" com a gradual retirada de sua liberdade de escolha em nome de "um bem maior". Vivemos num país onde as opções são cronica e gradualmente limitadas, com uma população cada vez mais dependente do governo.

Mas espere aí, desde quando numa democracia de um regime capitalista o governo tem essa responsabilidade? O governo existe para proteção de fronteiras e preservação dos interesses nacionais além de garantir a aplicação de leis de forma justa e imparcial.

Criamos e aceitamos leis hoje para "prevenir" como a lei seca que proíbe a venda de bebidas alcoolicas em estádios de futebol. Ou a lei seca do trânsito que praticamente proíbe o consumo das mesmas pra quem vai dirigir. Partimos do pressuposto que o povo é burro, não pode ser conscientizado e educado e é melhor previnir do que remediar. E obviamente foi um sucesso, afinal os números da violência nos estádios e de acidentes de trânsito ligados ao consumo de álcool caiu depois da criação das respectivas leis.

Então agora a pessoa que é consciente, que sai pra se divertir e que quer tomar duas, três cervejas, ou seja lá a quantidade que for de maneira moderada, não pode. Não pode porque "a maioria não é consciente e exagera, e quando exagera faz cagada". Espere aí de novo, o que essa pessoa tem haver com a maioria? Absolutamente nada, mas ainda assim teve sua liberdade de escolha retirada em nome do tal "bem maior".

Engana-se que acha a perda gradual da liberdade acaba nessas leis "polêmicas". Ou que se limita ao serviço militar e voto obrigatórios. Toda vez que um imposto novo é criado ou um antigo é aumentado perdemos um pouco da nossa liberdade. É o governo dizendo "você tem que fazer isso aqui com o seu dinheiro"... mas peraí, eu não quero! Mas é pra um "bem maior".

O Brasil por ter geralmente governantes populistas, pune quem trabalha e se qualifica aumentando a carga tributária dessa turma em prol de "distribuir a renda". Opa, legal... Mas por que se eu entrar na casa do Lula e levar umas TVs, uns carros e uma quantia razoável de dinheiro pra distribuir a renda entre os menos favorecidos da favela eu sou preso como assaltante? Quer dizer que o governo pode pegar 30% do que eu ganho, além de me obrigar a pagar um seguro saúde/desemprego/aposentadoria que eu não quero e todo mundo acha que é normal?

Enquanto isso a turma de baixa renda faz um monte de filho pra aumentar a renda da casa com a tal bolsa família. Ou seja, o cidadão ou cidadã estuda um tempão, na maioria das vezes às custas do sacríficio da família, se qualifica, continua investindo na carreira e no fim do mês o governo chega e fala "me dá essa parte do teu salário aqui que eu vou usar pra ajudar o Fulaninho a pagar as contas". E a pessoa se pergunta: "O que eu tenho haver com o Fulaninho? Ninguém me perguntou se eu estou com vontade de ajudar o Fulaninho"... a resposta é óbvia "Perdeu praiboi... é para um bem maior". E lá se foi mais um pouco da nossa liberdade.

Me lembro de um episódio que aconteceu na fila do caixa no supermercado. Uma mulher de aproximadamente 40anos, 1,6m e uns 100kg tinha terminado de passar suas mercadorias na registradora e agora pagava as contas de luz e água. Na fila estávamos eu e um sujeito na minha frente, ambos irritados com a demora causada pela mulher que havia revisto cada uma das coisas que tinha pego antes de passar pela registradora. Ao fim do somatório ela sacou um cartão desses tipo bolsa família pra pagar a conta.

Como não podia ser diferente, dada a sorte de ter entrado na fila mais demorada do supermercado, a conta não fechou porque as compras e as contas excederam em um real e uns quebrados. A mulher ao invés de pagar a diferença com o dinheiro que tinha sobrando (na hora que tirou o cartão, tirou também algumas notas) e resolver o problema, começou a argumentar com a caixa dizendo que iria devolver um dos itens, pois era "um absurdo ter sido tanto dinheiro por tão pouco". A minha paciência já tinha ido pra muito longe fazia tempo, mas aquela frase pareceu ter sido a gota d'água pro cidadão na minha frente. Ele sacou uma nota de dois reais da carteira e falou pra mulher "está aqui a diferença, pronto, pague e vá embora porque estou com pressa!".

A mulher olhou chocada pela atitude do sujeito e disse "eu não preciso do seu dinheiro" e a réplica veio como um arpão atravessando a baleia, "claro que precisa, ou você acha que quem paga essa tua bolsa que tu mama do governo, eu e outros tantos que você está atrapalhando com essa sua demora. Tome mais dois reais e se manda, não vai me fazer falta". E não foi que a mulher pegou o dinheiro? Bom pelo menos aqueles dois reais foram escolha dele.

O populismo acabou com o espírito desse país, pois parte do pressuposto que o povo é burro e precisa ser carregado e não ensinado. A maioria dos brasileiros não vê o dinheiro público como seu próprio dinheiro que foi tomado por "um bem maior", mas sim como um bolo gigante, onde ele, o indivíduo, tem que fazer de tudo pra garantir uma fatia. E isso é tão forte que ele é capaz de aceitar até mesmo a corrupção de seus eleitos, desde que receba um benefício em troca. Quem nunca ouviu "ele rouba sim, todos roubam na verdade, mas pelo ele menos faz pela comunidade", ou "sei que ele é corrupto, com ele no cargo vou conseguir um aumento". Corrupção ficou institucionalizada no país, as pessoas acham que político tem que ser necessarimente corrupto. Pra piorar, são capazes de aturar isso numa boa desde que eles façam alguma coisa em nome do tal "bem maior".

Durante uma dessas conversas sobre as leis um dos meus amigos afirmou, "é mas a gente se acostuma". E é por isso que a coisa continua. Quem acredita que vivemos numa sociedade democrática, livre e capitalista está totalmente desinformado... o Brasil é um estado pré-socialista altamente corrupto onde o governo gradualmente controla o que a população pode ou não pode fazer.

E aí me perguntam, mas como você pode ser contra a lei seca, ou a anti-fumo? Ambas trouxeram benefícios inquestionáveis para a sociedade. Sou contra sim, da forma que foram feitas. Sou contra a punição e privação da liberdade de pessoas que nunca fizeram nada para merecer isso. Sou a favor sim de educar, conscientizar, melhorar. E aí me perguntaram "e aqueles que beberem e matarem alguém, segundo você tudo bem". De modo algum, que as leis sejam extremamente rigorosas com quem cometeu um ato irresponsável, uma coisa não tem nada haver com a outra. Se continuarmos assim vamos viver num estado tipo Minority Report e sair prendendo pessoas pra prevenir alguma coisa em nome de "um bem maior"

Eu quero viver num país onde mantenha o direito a minha liberdade de escolha. E você?
Antes de se acostumar ou aceitar algo por "um bem maior" PARA PRA PENSAR! Talvez ao fim da tua reflexão você fale "Bem maior de quem? Foda-se o tal do 'bem maior'".

Sunday, July 29, 2007

Criando monumentos.

Li um dia desses que vão criar um monumento para os mortos no último acidente de Congonhas. Fiquei então pensando que maravilha de país em que vivemos. Criamos monumentos para homenagear mortos em grandes cagadas, oriundas da digestão contínua da incompetência dos serviços prestados e do peristáltico jogo de interesses e corrupção que agrega todos os setores públicos desse país.

Devíamos fazer monumentos para homenagear os mortos do desastre da violência diária, ou quem sabe aqueles que morreram nas estradas tão bem conservadas de nossa pátria (dá-lhe IPVA).

Talvez púdessemos homenagear também os sobreviventes da fome e miséria que logo iram morrer, pelo menos eles teriam um agrado na vida. Não podemos esquecer dos que perderam a vida ou algo menos precioso quando o Palace II no Rio desmoronou. Falando em desmoronar, já íamos esquecer aqueles que embarcaram no expresso Muerte quando a obra do metrô de SP ruiu.

É tanto monumento que logo vamos criar um imposto só pra construir as obras que vão nos lembrar eternamente a nossa incapacidade de reagir a tantos absurdos.

Por último podíamos criar um monumento faraônico para homenagear a nossa capacidade impressionante para eleger bons governantes. Só não precisamos é criar um para nossa esperança de que um dia isso tudo vai mudar, afinal, ela é última que morre apesar de, infelizmente, estar agonizando há um tempão!!

Só alegria...

Friday, July 20, 2007

Adeus!

O Brasil hoje perdeu uma de suas maiores lideranças e obviamente eu não poderia deixar de fazer minha homenagem a esse homem que em inúmeras oportunidades nos roubou e nas entrelinhas nos chamou de otários tantas e tantas vezes. Antônio Carlos Magalhães às 11:40h da presente data resolveu voltar pra onde nunca deveria ter saído... um buraco bem fundo no círculo mais profundo do inferno! Embora eu tenho dúvidas se agora ele não senta ao lado esquerdo (o direito eu deixo pra Hitler) do comandante daquele lugar tão acolhedor.

Li na internet que a Bahia chora, pobre Bahia, perdeu aquele que fez tanto pra aumentar as diferenças sociais daquele estado, onde o pobre é miserável e sente orgulho disso. Na Bahia era tudo alegria com ACM.

A banditina o deixou vivo por muito tempo, afinal o sujeito começou sua carreira em 1954... o que fizemos para merecer tal castigo? A resposta é fácil, votamos nele. Um dos grande caciques nessa terra de índios, que em determinado momento de soberba disse que só duas figuras políticas conseguiram ser conhecidas por siglas, JK e ele. Eu prefiro usar a sigla FDP pra me referir aos nossos políticos... e olha que detesto generalizações, mas neste caso eu abro uma exceção.

A Bahia chora, eu sorrio... agora minhas esperanças no país se renovam. PRA FRENTE BRASIL!

Tuesday, July 17, 2007

O tempo passa mas a estupidez não muda!

Mais de um ano longe dos posts e é incrível a quantidade de casos que eu reuni para provar a minha velha teoria... no Brasil estupidez mata muito mais do que qualquer doença.

O episódio mais recente aconteceu há poucas horas e é claro merece citação. Ontem internei uma paciente com quadro de crises convulsivas. Ainda no pronto-socorro ela já não apresentava mais convulsões e subimos com a infeliz pro quarto. Infeliz mesmo, porque pra azar dela acabou parando na ala do hospital que reune mais incompetentes em todo o prédio, quanti e qualitativamente falando.

Quando chego hoje no quarto vejo que minha paciente está apresentando uma nova crise. Minha felicidade estava só começando. Eu chamei a técnica de enfermagem mais próxima que pra minha sorte era irmã do Barrichelo. Enquanto a profissional do desespero vinha ouvi a outra paciente que está no leito ao lado dizendo:
- Nossa ela está tremendo assim a manhã toda!

Por um momento pensei comigo que estava alucinando, mas então lembrei da ala onde estava e que ali assim como no inferno, todas as maldições e abominações eram possíveis. Olhei pra trás e perguntei para a sortuda da cama ao lado:
- A senhora falou que ela está tremendo assim faz muito tempo?
- Sim, ela fica um tempo e para, depois volta. Ontem a noite estava menos mas hoje ficou mais frequente.

A inteligente técnica de enfermagem chegou nesse momento e o diálogo se seguiu:
- Jovem você está vendo isso que a paciente está fazendo? - perguntei
- Sim doutor
- Isso se chama crise convulsiva e deve ser interrompida o mais breve possível. Agora corre e pega uma ampola de diazepam.

Como ela é muito inteligente obviamente não fez o que eu falei, mesmo com a sequência "o mais breve possível" na frase. Ao contrário, ela contra-argumentou:
- Mas falaram durante a passagem do plantão que era apenas um tremorzinho! - mantendo uma expressão de supresa como se eu meu diagnóstico fosse um absurdo.
- Não jovem, isso é uma crise convulsiva. Algo que vocês deveriam ter aprendido no curso que teoricamente você frequentou.
- Mas doutor, falaram que era só um tremorzinho que a paciente as vezes apresentava. - ela continuou debatendo ao invés de pegar a medicação.
- Menina você está me dizendo que se eu pegar um pedaço de coco e te mostrar dizendo que é chocolate você come?? Agora pára de argumentar e vai pegar a droga da ampola que eu pedi! -aaahh a grosseria que liberta e salva vidas!

Por um momento ela exitou... deve ter pensado na relação entre fezes e chocolate e o que eu queria dizer com aquela associação bizarra. Felizmente as pernas se mexeram e ela foi buscar a droga. Obviamente ela provou novamente que é parente próxima de Rubens Barrichelo e demorou muito mais do que um macaco rezus medianamente treinado demoraria.

Enquanto isso o cérebro da velhinha fritava pela longa convulsão. Enfim chegou a medicação e a convulsão foi interrompida. Claro que chamei a supervisão da inteligente técnica para elogiar o belo trabalho da mesma.

Se engana quem pensa que minha alegria tinha chegado ao fim. Um pouco mais tarde eu recebi uma ligação de um primo médico de quarto grau da infeliz para perguntar sobre o quadro e obviamente me pedir para tratá-la com uma atenção especial. A resposta é sempre a mesma "eu sempre trato todos meus pacientes com atenção especial, não se preocupe"! Mas o que valeu da conversa foi que o sujeito me informou um dado importantíssimo, a paciente é uma etilista pesada (2litros da boa e velha cachaça por dia).

A família da paciente resolveu esconder o fato de que ela era movida a álcool e não a gasolina. Muito legal da parte deles, afinal crise de abstinência e epilepsia se tratam exatamente da mesma maneira e nada iria mudar pra paciente.

Por fim mudei a terapêutica e agora a pobre não apresenta mais nenhum "tremorzinho". Essa só não morreu graças a mulambina criada a base de muita caninha 51.

God bless the cachaça!!

Saturday, July 14, 2007

Pan no Rio!

Estão oficialmente abertos os jogos do Pan do Rio de Janeiro. Não posso deixar de comentar que a cerimônia de abertura foi de extremo bom gosto. Tanto bom gosto que não deixaram o Lula falar... o presidente do comitê abriu os jogos e deixou o presidente da república chupando o dedo que não tem.
Sem comentar a alegria de ver um Maracanã inteiro vaiar o nosso Cú-mandante não uma, mas duas vezes. Até os times de futebol quando entram em campo e recebem vaias ainda tem o suporte da sua torcida pra dar uma aliviada... Talvez a Argentina tenha tido a mesma festiva e calorosa recepção mas, ainda assim pra uma pessoa só eu acredito ser algo especial... Lula mais uma vez se supera e mostra que é bom até pra receber vaias.

Perfeita a cerimônia, agora é esperar por muitas medalhas. Sucesso aos atletas!

I'm back!

Período eleitoral finalizado, posso falar mal de quem quiser de novo... e viva a democracia!
Para quem não sabe ainda fiquei afastado do blog pela tristeza de ver que nesse país comandado por um ser das profundezas do mar não dá o direito ao cidadão de se expressar como bem entender.
Recebi uma aviso da justiça eleitoral que estaria cometendo uma infração grave com minhas críticas "infundadas" (é pra rir?) sobre o tal cú-mandante que na época era um candidato apenas. Aparentemente nesse país não se pode falar mal de candidatos em meios de comunicação em massa... rádio, TV e obviamente internet! Caso eu optasse por persistir com minha "atitude anti-democrática" (será que dou risada de novo?) receberia uma multa salgada e poderia correr o risco de ser preso... (ainda bem que pelo menos era pra prisão especial porque tenho terceiro grau completo).
Mediante a tal comunicado simplesmente engoli o sapo gordo da minha indignação e segui minha vida até o momento onde novamente estivesse cheio de ácido pra cuspir por aqui...

Estou de volta a minha terapia "bloguística"...

Friday, June 23, 2006

Rir para não chorar

É impressionante essa capacidade/mania do brasileiro rir de tudo. Chega a ser imbecil... “estão roubando dinheiro público... é não tem jeito mesmo, só rindo...”. O famoso “rir pra não chorar” está cada vez mais em alta.

Até seria legal se por outro lado fosse feito qualquer movimento na intenção de parar o absurdo que de tão esdrúxulo acabou virando piada. Um bom exemplo é aquela deputada cretina que “samba” de alegria porque seu comparsa, já comprovadamente envolvido no esquema de corrupção é absolvido. E depois a cara-de-pau vem pedir desculpa pro público que chamou de idiota!! Tinha que ter o mínimo de dignidade e renunciar ao cargo. O mais triste é que eu não duvido que aquela “elefanta sem vergonha” (me perdoem as elefantas) vai acabar sendo eleita de novo em alguns anos.

Há alguns dias atrás assisti algo que reflete bem o que digo. Foi uma entrevista de Jô Soares em seu programa com o grupo de comediantes conhecidos como “Os Melhores do Mundo”. Não fazem jus ao nome, mas são bons humoristas.

A primeira decepção veio quando Jô fez uma pergunta relacionada aos políticos brasileiros e se eles geravam muito material para as piadas do grupo. A resposta imediata “claro, sempre né?... eles são muito mais engraçados que nós...”. Eu pensei: “que merda hein... quer dizer que nossos políticos são palhaços que nos fazem de trouxas e nós ainda damos risada!”. E o pior de tudo é que eles falavam isso em rede nacional achando a maior graça. Beleza de exemplo pro povão.

Eu acredito essas pessoas que mexem com a opinião de massas tem uma grande responsabilidade no nosso quadro atual. Eles tem um poder enorme nas mãos que poderiam usar para cobrar dos políticos as promessas de campanha e principalmente respostas para tantas perguntas que vem se repetindo cada vez mais. Seria uma beleza... não respondeu cai na desgraça do povo. Imagina se Silvio Santos fala “minhas amigas de trabalho não votem no ACM... ele está envolvido em um mar de corrupção e ainda não explicou nada, votem em outro que não seja um safado igual a esse coronel”. ACM não era mais eleito nem pra síndico de condomínio!

Volto a entrevista para citar um bom exemplo do humor exagerado do brasileiro. Em determinado momento Jô exibiu um curta-metragem criado pelo grupo satirizando os últimos momentos dos passageiros do Kursck, aquele submarino russo que naufragou durante um exercício de guerra matando mais de 100 tripulantes, sendo que alguns deles ficaram vivos horas agonizando enquanto esperavam o resgate que não chegou a tempo. No fim do vídeo quando Jô disse que o povo russo deveria adorar aquele curta os comediantes argumentaram: “nós somos muito politicamente-incorretos”. Continuaram falando de como faziam humor negro e que já tinham uma idéia para um próximo curto intitulado “10 de setembro” numa sátira ao dia anterior ao atentado às torres gêmeas. No fim, a pérola que fechou com chave de ouro: “estamos pensando em fazer também o Gaguinho de Auschwitz... hahaha isso é brincadeira”. Porra não era nem pra fazer esse tipo de brincadeira!!! Humor negro sim... ser politicamente incorreto é preciso até mesmo para satirizar questões políticas. Mas tudo tem um limite... o limite do BOM SENSO!

A total falta de patriotismo nos nega a capacidade de entender o significado do sentimento que a palavra expressa. Nunca perdemos uma quantidade expressiva de soldados numa guerra. Esse país nunca lutou para defender princípios nos quais foi criado... na verdade acredito que tais principios nem mesmo existiram... cada vez mais sou da opinião que o Brasil foi criado no “ôba-ôba” para algum importante da época levar vantagem em algo. Nunca sofremos a violência de um atentado em massa como o de 11/09 ou o do metrô espanhol. E aí criamos humor negro baseado em tragédias que deveriam indignar. “Hahahaha não é aqui mesmo então que se dane” é a resposta que mais ouço quando revelo minha indignação.

Eu queria ver se eles fariam piada ou ririam da situação se as respectivas mães estivessem nas torres quando elas desabaram! Ou se parentes próximos tivessem passado pelo horror do Holocausto.

Vamos rir sim, mas não ao ponto de nos tornarmos a própria piada...

Monday, June 19, 2006

Pérolas - Parte III

Essa pérola que vou contar é mais uma prova concreta das duas teorias que já expus aqui.

Estou eu de plantão, ainda enquanto acadêmico, naquele grande hospital dos casos anteriores. Chega um cidadão (mulambo) na sala de politrauma com múltiplas fraturas e com aproximadamente 91% da superficie corporal queimada (queimaduras de II e III grau). Pra vocês terem uma idéia a chance de sobrevivência em vítimas de queimadura em mais de 90% da superfície corporal é praticamente NULA!!! No caso do infeliz que adentrava nossa requintada instalação, ainda tínhamos a presença de fraturas, o que "alavancavam" exponencialmente as grandes chances de viver mais do que algumas horas.

Após estabilizarmos o paciente e removê-lo para a unidade de queimados fomos descobrir mais informações, afinal estávamos todos intrigados com o que haveria causado tamanho estrago. Fomos então, questionar os sujeitos que haviam levado o paciente para ser atendido.

A história foi a seguinte... o infeliz era soldador de uma grande empresa de combustíveis e foi mandado para dentro de um dos tanques de gasolina soldar alguma coisa. Vendo o tanque vazio ele desceu com o equipamento para realizar o trabalho, mas esqueceu que existe algo chamado vapor.
O tanque tinha sido esvaziado fazia muito pouco tempo e, o sábio, ignorando o perigo que seu nariz lhe insistia em alertar acendeu o maçarico... BOOM!! "Tá lá" um corpo em chamas voando 10metros acima do tanque e caindo extendido no chão!!!

Fraturas e queimaduras explicadas, confirma-se uma teoria.... estupidez mata!!!

Depois de meses de terapia, indas e vindas entre pneumonias e cirurgias plásticas, ignorando todas as estatísticas... O CARA SOBREVIVEU! Entra agora a segunda teoria: A presença da famosa mulambina no sangue do sujeito operou praticamente um milagre e o cretino saiu com vida... renasceu eu ouso dizer.
Pra sorte do cidadão duas das poucas áreas que não foram queimadas foram a cabeça e o pingulim. Ou seja, no fim ainda existe a possibilidade desse "sábio" proliferar sua espécie!!!

Conclusão final:

Se for pra ser estúpido seja um estúpido mulambo...