Funcionário Público
A cada dia que passa me impressiona mais e mais a capacitação do funcionário público brasileiro. Hoje tive mais um exemplo vivo (por pouco não pegou o expresso) da habilidade desta classe maravilhosa.
Chegou em minhas mãos um paciente de 65anos totalmente desorientado, incapaz de se comunicar, com perda de toda força muscular (só mexia os olhos e nem sustentava a cabeça) e extremamente sudoreico (suando em excesso).
Através de familiares ficamos sabendo que o cidadão já tinha diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica e Coronariopatia (doença das atérias do coração), já possuindo uma angioplastia com implante de stent em uma das coronárias. Mas não havia qualquer problema de Diabetes pois o infeliz havia feito um teste há +/-30dias atrás. Tomava como medicação captopril e AAS (não vou nem entrar no mérito do tratamento). Os entes queridos ainda referiam que nas últimas 72horas o paciente não fazia ingesta regular de alimentos, com confirmadas 12h de jejum pelo menos.
Durante o atendimento fizemos um teste de glicemia capilar (um jeito de quantificar o nível de glicose no sangue naquele exato momento em questão de 30-40segundos) que mostrou um belíssimo resultado... 28mg/dl (o normal gira em torno de 80-100mg/dl). Hipoglicemia foi o diagnóstico inicial. Só que jejum nenhum leva um sujeito a niveis tão baixos de glicemia se ele não for diabético... conclusão óbvia: o infeliz estava desenvolvendo Diabetes!!!
Após alguma glicose IV o paciente já estava de volta ao planeta Terra sem nem saber o que tinha acontecido ou onde estava. Outros exames foram feitos e somou-se a possibilidade de um novo infarto do miocárdio, possivelmente iniciado por causa da hipoglicemia severa.
Nesse ponto a família estava "empolgada" com o volume de boas notícias!!
Passadas duas horas repetiu-se mais uma vez o teste de glicemia capilar... afinal tínhamos administrado glicose suficiente para inverter o quadro depois de algumas horas, ou seja, gerar hiperglicemia num paciente diabético. Surpresa geral quando o teste veio NORMAL!!!
Impossível... o teste tinha que estar pelo menos elevado. Repetimos o teste... normal de novo!! O sujeito não era diabético. A matemática não fechava. O primeiro resultado não estava explicado.
Alguma coisa estava errada. Fomos até a família... "tragam-nos todos os remédios que o paciente tem acesso e possa eventualmente ter tomado" foi a ordem.
Meu horário acabou e eu fui pra casa deixando o plantão nas mãos de um outro colega, sabendo que no dia seguinte eu estaria de volta para saber o que tinha acontecido. E foi isso que aconteceu, quando retornei encontrei com a família que me mostrou os remédios do paciente.
Realmente só havia duas drogas... AAS e um hipoglicemiante oral (remédio pra um tipo de diabetes) que foi tomado como se fosse o captopril.
EXCELENTE!!!
O cretino que distribui a medicação a população na farmácia popular entregou o remédio errado e nem o paciente nem ninguém leu o nome antes de tomar. Se os familiares tivessem demorado mais uma ou duas horas o infeliz certamente teria entrado naquele trem expresso. Mais uma vez minha teoria se confirma... ESTUPIDEZ MATA, e no Brasil mata mais do que o câncer.
No fim do plantão ouvi do mesmo paciente os dizeres: "Até a próxima doutor, até lá eu vou tentando sobreviver!!"
E assim caminha a huminidade...
Chegou em minhas mãos um paciente de 65anos totalmente desorientado, incapaz de se comunicar, com perda de toda força muscular (só mexia os olhos e nem sustentava a cabeça) e extremamente sudoreico (suando em excesso).
Através de familiares ficamos sabendo que o cidadão já tinha diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica e Coronariopatia (doença das atérias do coração), já possuindo uma angioplastia com implante de stent em uma das coronárias. Mas não havia qualquer problema de Diabetes pois o infeliz havia feito um teste há +/-30dias atrás. Tomava como medicação captopril e AAS (não vou nem entrar no mérito do tratamento). Os entes queridos ainda referiam que nas últimas 72horas o paciente não fazia ingesta regular de alimentos, com confirmadas 12h de jejum pelo menos.
Durante o atendimento fizemos um teste de glicemia capilar (um jeito de quantificar o nível de glicose no sangue naquele exato momento em questão de 30-40segundos) que mostrou um belíssimo resultado... 28mg/dl (o normal gira em torno de 80-100mg/dl). Hipoglicemia foi o diagnóstico inicial. Só que jejum nenhum leva um sujeito a niveis tão baixos de glicemia se ele não for diabético... conclusão óbvia: o infeliz estava desenvolvendo Diabetes!!!
Após alguma glicose IV o paciente já estava de volta ao planeta Terra sem nem saber o que tinha acontecido ou onde estava. Outros exames foram feitos e somou-se a possibilidade de um novo infarto do miocárdio, possivelmente iniciado por causa da hipoglicemia severa.
Nesse ponto a família estava "empolgada" com o volume de boas notícias!!
Passadas duas horas repetiu-se mais uma vez o teste de glicemia capilar... afinal tínhamos administrado glicose suficiente para inverter o quadro depois de algumas horas, ou seja, gerar hiperglicemia num paciente diabético. Surpresa geral quando o teste veio NORMAL!!!
Impossível... o teste tinha que estar pelo menos elevado. Repetimos o teste... normal de novo!! O sujeito não era diabético. A matemática não fechava. O primeiro resultado não estava explicado.
Alguma coisa estava errada. Fomos até a família... "tragam-nos todos os remédios que o paciente tem acesso e possa eventualmente ter tomado" foi a ordem.
Meu horário acabou e eu fui pra casa deixando o plantão nas mãos de um outro colega, sabendo que no dia seguinte eu estaria de volta para saber o que tinha acontecido. E foi isso que aconteceu, quando retornei encontrei com a família que me mostrou os remédios do paciente.
Realmente só havia duas drogas... AAS e um hipoglicemiante oral (remédio pra um tipo de diabetes) que foi tomado como se fosse o captopril.
EXCELENTE!!!
O cretino que distribui a medicação a população na farmácia popular entregou o remédio errado e nem o paciente nem ninguém leu o nome antes de tomar. Se os familiares tivessem demorado mais uma ou duas horas o infeliz certamente teria entrado naquele trem expresso. Mais uma vez minha teoria se confirma... ESTUPIDEZ MATA, e no Brasil mata mais do que o câncer.
No fim do plantão ouvi do mesmo paciente os dizeres: "Até a próxima doutor, até lá eu vou tentando sobreviver!!"
E assim caminha a huminidade...

5 Comments:
Só não entendi o que funcionalismo público generalizado tem haver com essa história.
Simples cara...
O funcionário público (principalmente o dos quadros mais inferiores) não está nem aí... faz as coisas de qualquer maneira, o que neste caso resultou na troca de medicação. Se pensarmos no mais elevado aí geralmente envolve alguma forma de corrupção. Lógico que existe o competente, atento e não-corrupto.
Por essas e por outras prefiro ir no macumbeiro. Não cura Porra nenhuma, mas pelo menos não me passa o remédio errado.
ih ! tem gente q não entendeu o q funcionário publico tem a ver com isto. Acho que tem LOURA lendo este blog !!!!! Falo, mané !
Cada história romântica que eu leio aqui... me faz crer na vida. Fico inspirado!
Abracetas, Gus
Post a Comment
<< Home